Monday, October 24, 2016

NO CINEMA: The Accountant (O Contador)

Nota: 8 / 10

Ok pessoal, rapidamente fazendo algumas considerações sobre o filme que fui ver hoje, estrelando Ben Affleck, antigo motivo de preocupação entre os fãs da DC, e hoje, bem, nem tanto assim.

Ben Affleck nunca foi um ator muito prodigioso para mim. Sempre o considerei, no máximo, serviçável, faz o trabalho bem quando o roteiro é bom, e só. Verdade seja dita, o cara vem melhorando nos últimos anos, pegando filmes melhores também, papéis mais marcantes.

Aqui, em The Accountant, novo filme de Gavin O'Connor, diretor do ótimo Warrior (Guerreiro), estrelando Tom Hardy, Ben mostra que ainda atua com a mesma cara de sempre, mas já tenta mostrar algum serviço extra. O filme é bom, interessante, mas meio frustrante em seu fecho.

Na trama, conhecemos um cara (Affleck) que tem habilidades excepcionais (exceto de atuação, é claro, hehehe... ãhn, bom...); ele faz cálculos astronômicos em segundos, é um excelente profissional no que faz, atira bem, luta bem, é focado, enfim, o cara é a última bolacha do pacote. Ele é contratado por um cara para fazer um acompanhamento financeiro, coisa que ele costuma fazer para gente da pesada, cartéis de drogas, assassinos, etc, mas descobre uma maracutaia no meio do livro de finanças de dinheiro vindo sabe-se lá de onde, inclusive se envolve com uma moça (Anna Kendrick) que poderá ser prejudicada por toda essa maracutaia do poderoso ao qual ele está ajudando. Um agente da polícia (J. K. Simmons) também é incumbido de investigar a coisa toda.

No entanto, a coisa toma proporções maiores e mais perigosas conforme o tempo passa, e a contagem de corpos acaba se tornando inevitável. É aí que o tal contador do título, que não é meramente um reles contador, tem que entrar com toda sua expertise e habilidades de combate para proteger pessoas inocentes.

Pois muito bem, tudo isso vem embalado em um pacote bastante singular, um pequeno detalhe que inclusive se tornará o motif do filme para virar uma peça meio panfletária: o contador sofre de autismo! Sim, desde criança ele tem essa condição, o que acaba preocupando os seus pais em relação ao seu futuro, como vamos lentamente descobrindo nas cenas de flashback. Só que o autismo acaba revertendo a favor dele. Apesar de eu achar que este personagem do Affleck é um dos autistas mais sem carisma e mais sanguinários que eu já vi, ele tem diversos talentos que o destacam. Ele não consegue deixar algo sem terminar, é obstinado, e quando se vê em uma situação complicada, recita a letra do poema americano Solomon Grundy. Esta rima, usada para ninar crianças americanas é bem tradicional, mas sua letra é perturbadora:


Solomon Grundy,
Nascido numa Segunda,
Batizado numa Terça,
Casou numa Quarta,
Ficou doente numa Quinta,
Piorou numa Sexta,
Morreu no Sábado,
Foi enterrado no Domingo,
Este foi o fim,
De Solomon Grundy

Eu entendi, inclusive, a razão da rima figurar na narrativa do filme, mas não consegui tirar da minha cabeça que o Affleck, talvez estivesse aproveitando este momento de sua carreira para enfatizar o quanto puder que é o novo Batman. Pensem bem, Affleck no filme é um sujeito sério, um tanto amargurado, atuando ao lado de J. K. Simmons, que será o novo Comissário Gordon no cinema, em um filme com uma atmosfera opressora, séria, e misteriosa, e com direito a rima de Solomon Grundy, que por acaso é um dos vilões mais conhecidos da DC, por quem é fã do Batman! É como se o filme, ao mesmo tempo que desenvolvesse sua história, te chamasse ao pé do ouvido, e te desse uma piscadela, dizendo "ei, não se esqueça de conferir, em 2018, o novo filme do Batman estrelando Ben Affleck, ok?" Inocente de quem não notar a intenção implícita aí no filme!

Mas enfim, a narrativa tem três momentos distintos: o primeiro deles é mais dramático, desenvolvendo e apresentando os personagens da história. Lá mais para o meio, vira um filme de ação, com tiros, perseguições, e etc, depois, é claro, de um trechinho bastante arrastado, e que fez a narrativa ficar um tanto quanto devagar demais. O terceiro momento, que é o fecho do filme, foi o que eu não gostei. A atmosfera muda completamente, e de um filme com mensagens sutis em relação à condição de quem tem algum problema psicológico se sobressair, termina por virar uma peça meramente panfletária sobre o autismo. O roteiro acaba se perdendo e passa a ficar tão sutil quanto um elefante dançando balé, pois esfrega na sua cara, de bandeja, a mensagem final, que já havia ficado clara lá atrás. Honestamente, não precisava!

Mas fora estes revezes, a narrativa é interessante e tensa, funcionando como um quebra-cabeça a ser desvendado pelo expectador, e as atuações, de forma geral, são boas. Não é o tipo de filme que eu veria novamente, mas fiquei feliz de ter visto, apenas esperava mais do diretor de Warrior. Recomendo que assistam, mas hora que chegar no final do filme, finja que o DVD foi para o menu de extras, e está mostrando como que o autismo pode ser superado pelas pessoas, como que ninguém é pior que ninguém por possuir esta condição. Só assim mesmo para não ser pisoteado pelo elefante fazendo plié. Um pouco mais de sutileza da próxima vez, Sr. O'Connor, a sua audiência pode pensar por si mesma, nao precisa que você esfregue os motivos do filme na nossa cara de maneira tão escancarada.

The Accountant (2016)
Título em português BR: O Contador

Direção: Gavin O'Connor
Produção: Gavin O'Connor, Lynette Lowell Taylor, Mark Williams
Roteiro: Bill Dubuque
Trilha sonora: Mark Isham

Estrelando: Ben Affleck, Anna Kendrick, J. K. Simmons, Jon Bernthal, Jeffrey Tambor, Cynthia Addai-Robinson, John Lithgow, Jean Smart, Andy Umberger, Alison Wright

Trailer:

1 comment:

  1. Cara, com todo respeito, eu nem li tudo pra no perder a cabeça, mas é tudo asneiras, se não é podemos discutir sobre o assunto quando quiser online. So chamar por Stark. Mas mesmo assim, gostei muito do seu blog, isso nao significa que é ruim, muito pelo contrario.

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